Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

A Prisão Dourada - Fiodor Dostoievski



"Tenta fazer esta experiência, construindo um palácio. Equipa-o com mármore, quadros, ouro, pássaros do paraíso, jardins suspensos, todo o tipo de coisas... e entra lá para dentro. Bem, pode ser que nunca mais desejasses sair daí. Talvez, de facto, nunca mais saísses de lá. Está lá tudo! "Estou muito bem aqui sozinho!". Mas, de repente - uma ninharia! O teu castelo é rodeado por muros, e é-te dito: 'Tudo isto é teu! Desfruta-o! Apenas não podes sair daqui!". Então, acredita-me, nesse mesmo instante quererás deixar esse teu paraíso e pular por cima do muro. Mais! Todo esse luxo, toda essa plenitude, aumentará o teu sofrimento. Sentir-te-ás insultado como resultado de todo esse luxo... Sim, apenas uma coisa te falta... um pouco de liberdade.

 Fiodor Dostoievski, in "O Movimento de Liberação"

Segunda-feira, 15 de Abril de 2013

Senhores, estou farta!


Carta Aberta


Ninguém me encomendou o sermão, mas precisava de desabafar publicamente. Não posso mais com tanta lição de economia, tanta megalomania, tão curta visão do que fomos, podemos e devemos ser ainda, e tanta subserviência às mãos de uma Europa sem valores (...).

(Miguel Torga)

Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

Sonho consciencioso





Sonhei que o mundo tinha mudado!
Não havia flores mortas, folhas secas
jardins abandonados…
Mendigos dormindo em cartões
em becos inundados de dor...

 As crianças brincavam nos passeios
o sol aquecia-lhes o futuro
sorriam inerentes ao que as rodeavam
os velhos caminhavam felizes
sem rugas marcadas
pelas histórias de dor já contadas…

 Que mundo era este?

Era novo…não conhecia!
O vento bafejava calmamente
os campos cobertos de trigo dourado...

 E as ceifeiras de saia rodada
velha e estampada
cantavam...
ceifando o joio dourado!
Pássaros voavam batendo as asas
em rodopio ofuscante…

 Que mundo era este?
Tão belo…sereno…
Acordei!
Tinha sonhado…
Acordei de um sonho consciencioso!

 Levantei meu corpo dormente
espreitei da janela...
a lua dormia ainda sobre as montanhas
e o luar brilhava sobre elas...
Ainda era noite...
voltei a deitar-me querendo retomar
meu sonho !

Alda Melro
Clube dos Poetas Vivos


Quarta-feira, 20 de Março de 2013

Glória




Depois do Inverno, morte figurada,
A primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.

(Miguel Torga)

Segunda-feira, 4 de Março de 2013

ROMEU





Uma pequena mas lindíssima aldeia transmontana, do Concelho de Mirandela, que conta com pouco mais de cinquenta habitantes.

Nesta Aldeia, que é abençoada por alguns dos melhores azeites do mundo, encontra-se um afamado restaurante típico, o Maria Rita, que torna qualquer refeição num momento inesquecível.

Logo ao lado do restaurante encontra-se o Museu das Curiosidades, com uma vasta colecção de... TUDO! O Museu das Curiosidades é um espaço simples, onde o visitante encontra numerosos testemunhos da evolução da forma de vida rural, que vão desde automóveis e alfaias agrícolas, até bicicletas e material portátil ligado ao cinema.

Esta maravilhosa aldeia tem as suas casas muito bem conservadas porque beneficiaram de importantes obras na época do Estado Novo.

O nome da aldeia deve-se a que na época medieval existia uma dependência da Ordem do Hospital de São João de Jerusalém, mais tarde conhecida como Ordem de Malta. O aspecto actual da aldeia ficou a dever-se à acção de Clemente Meneres, empresário agrícola e industrial que ali se instalou em finais do século XIX e se dedicou à produção de azeite com um sistema revolucionário para aquela época. Os resultados estão "à vista", com o azeite de Romeu a atingir patamares de qualidade elogiados um pouco por todo o mundo.

Fonte: Aldeias de Portugal

Já fui muito feliz por estas "bandas"! Almocei diversas vezes no restaurante Maria Rita e tive, até, o privilégio de, um certo dia, conversar e almoçar com o proprietário Clemente Menéres.

Se os meus amigos ainda não conhecem, é uma boa opção para um passeio na primavera, que se aproxima.

A TODOS UMA BOA SEMANA

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

"Quem não gosta de estar sozinho



é uma péssima companhia".

(Gonçalo M. Tavares)


(Não sei se sou péssima companhia! Gosto de estar só, mas por pouco tempo...)
E os meus amigos, também gostam de "curtir" a solidão?



Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

Confiança



O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...

(Miguel Torga)


Desejo a todos um bom fim de semana

Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013

DESENCANTO



 Desencanto

Não de caravelas mas de muitas “capelas”
Nunca mais de poder, mas de mil poderes
Este é o país que nos sobra e soçobra
Ao amanhecer

Este é o país onde não sei viver

Tudo se resolve em não resolver nada
Ou tudo se muda para ficar como dantes
Com os moralistas e os chantagistas
E outros fantoches desconcertantes

Este é o país dos meus sonhos distantes

O meu país cresce dos homens mais fúteis
Da subserviência e da influência
Das palavras hipócritas e outros conluios
Este é o país dos processos inúteis
Das luvas e lóbis e dos compadrios

Este é o país dos meus desvarios

Este é um país pela graça divina
Onde todos somos heróis e mais santos
Seja por herança, por fado ou má sina
Este meu país é uma grande latrina
A transbordar merda por todos os cantos

Este é o país dos meus desencantos


 (Fernando Campos de Castro)

Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013

Mia Couto



“[…]Falamos em ler e pensamos apenas nos livros.
Mas a ideia de leitura aplica-se a um vasto universo.
Nós lemos emoção nos rostos,
lemos os sinais climáticos nas nuvens,
lemos o chão, lemos o Mundo,
lemos a Vida.
Tudo pode ser página.
Depende apenas da intenção de descoberta
do nosso olhar.”

 (Mia Couto)


Sábado, 5 de Janeiro de 2013

Tão antigo e tão atual


Nós Estamos num Estado Comparável à Grécia

Nós estamos num estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte.

Eça de Queirós, in 'Farpas (1872)'

Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013

Dois Lados

"A vida tem dois lados, pelo menos dois, ao outro só pelo sonho conseguimos chegar.



Sonhar é ausência, é estar do lado de lá".
(José Saramago)

Sorte a minha que me "esgueiro" muita vez para o lado de lá!
Este ano adivinha-se mau para permanecer sempre do lado de cá!


Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2012

Ano Novo, Vida Nova


Jamais haverá ano novo,
se continuar a copiar os erros dos anos velhos.

(L.Camões)

Domingo, 30 de Dezembro de 2012

ANO NOVO

Com estas belas imagens de neve e ternura vos desejo um feliz e próspero Ano Novo




Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2012

Citação I



"Nunca o homem inventará nada mais simples nem mais belo do que uma manifestação da natureza. Dada a causa, a natureza produz o efeito no modo mais breve em que pode ser produzido."


(Leonardo da Vinci)

Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012

Texto a não perder - Leiam



Leiam este brilhante texto de João Quadros. Por entre o sarcasmo cheio de piada, está a realidade triste do nosso País.

"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses."

Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco.

Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico.

Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji, abrótea do Haiti?

Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.

Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo. Não é saudável ter inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é desagradável constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano.

Há quem acabe por levar peixe-espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado lá em casa. Eu vi perca egípcia em Telheiras. Fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma perca egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar.

Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: "tem polvo marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. "Queria quinhentos de polvo marroquino" - tem de ser dito em voz mais baixa e rouca. Acabei por optar por robalo de Chernobyl para o almoço. Não há nada como umas coxinhas de robalo de Chernobyl.

Eu, às vezes penso:

O que não poupávamos se Portugal tivesse mar.

JOÃO QUADROS . NEGÓCIOS ONLINE

Retirado do facebook

Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2012

José Saramago



" Costuma-se dizer
dêmos tempo ao tempo,
mas aquilo que sempre
nos esquecemos de perguntar
é se haverá tempo para dar"

José Saramago

Domingo, 9 de Dezembro de 2012

NATAL NEGRO - 2012





 Tens de voltar meu Menino
Para mudar o destino
E dar-nos de novo esperança
Tens de mostrar que o Natal
Só se pode conceber
Se em cada homem houver
Um coração de criança

Neste Natal que é tão negro
Vem em nome dos que sofrem
E dos tristes que te esperam
Dos que vivem em silêncio
E em silêncio desesperam

É urgente que tu voltes
Em nome dos que perderam
Família, casa ou emprego
E que perderam o pão
Vivendo da compaixão
Em luto e desassossego

Dos que passam cada dia
Sem nada p’ra pôr na mesa
Da pobreza envergonhada
Dos que já tiveram tudo
Mas que ficaram sem nada
Neste mundo de incerteza

Vem morar no coração
Que se fechou ao Teu nome
Que às vezes a solidão
De quem luta pelo pão
É bem mais dura que a fome

Vem fazer o teu presépio
Na alma dessas pessoas
Que se perdem por aí
Tens de nascer, meu Menino
Tens de mudar o destino
E voltar de novo aqui

 (Fernando Campos de Castro)


Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2012

Poema da Curva - Oscar Niemeyer


Foi-se o artista!  O fruto da sua ARTE de construir ficará por toda a eternidade.


(Museu do olho - Curitiba.
Obra de Oscar Niemeyer)



“Não é o ângulo reto que me atrai.
Nem a linha reta, dura, inflexível,
    criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e
    sensual.
A curva que encontro nas
    montanhas do meu país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas nuvens do céu,
no corpo da mulher amada.
De curvas é feito todo o universo.
O universo curvo de Einstein.”

Oscar Niemeyer
 (Fevereiro de 1988)