Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

Mia Couto



“O bom do caminho é haver volta .
Para ida sem vinda basta o tempo ."


(Mia Couto)



Sábado, 12 de Maio de 2012

Walt Whitman


Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco,
sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém retire o direito de te expressares,
que é quase um dever.
Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo.
Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta.
Somos seres cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua:
tu podes tocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre.


Walt Whitman

Terça-feira, 8 de Maio de 2012

Páscoa 2012

Lembram-se deste post que publiquei há uns tempos atrás?  Foi  aqui que toda a família  passou a Páscoa.  Aproveitei para tirar algumas fotos  do jardim. Ao longe a Igreja onde fui batizada.










Domingo, 6 de Maio de 2012

MÃE


Mãe, faz tanto tempo que não te posso ver. Deus levou-te quando ainda tinhas tanto para oferecer, tanto amor para dar. Tenho saudades tuas, dos teus carinhos, da tua preocupação excessiva com os filhos, que mesmo bem crescidos e longe de ti fisicamente, tu nunca abandonaste. Eram frequentes os bons conselhos que mesmo longe teimavas em nos fazer chegar. Que bem me lembro de, pequenina, estar contigo na cama. Eu queria rezar e tu, com toda a paciência, lá repetias comigo, vezes sem conta, a Salve-Rainha, até que o sono me vencesse. Então o Pai, que a ti só conseguiu sobreviver três meses, levava-me ao colo para o aconchego da minha caminha. Sei onde estás, estás no Céu, só podias estar no lugar reservado aos bons, dado a pessoas simples e maravilhosas como tu eras. Agora, que também sou mãe, melhor posso avaliar o amor que um filho nos inspira. Mãe, não podia deixar passar este dia sem te dizer que te amo e jamais te esquecerei. Beijos e mais beijos que, tenho a certeza, vão chegar aí ao céu...

Quinta-feira, 3 de Maio de 2012

Oportunidades



O Grito 
 Edvard Munch

Não tencionava fazer esta revelação, mas os meus amigos merecem.
Acabei de arrematar esta famosa obra por metade do preço no PINGO DOCE.

Paguei apenas 45,5 milhões de euros

Domingo, 29 de Abril de 2012

Ilusão de Ótica










Simplesmente fenomenal esta arte de Octavio Ocampo. O uso de elementos para criar outros elementos é genial. Deixo aqui alguns exemplos .

Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

Balada dos Aflitos



Irmãos humanos tão desamparados
a luz que nos guiava já não guia
somos pessoas - dizeis - e não mercados
este por certo não é tempo de poesia
gostaria de vos dar outros recados
com pão e vinho e menos mais valia.

Irmãos meus que passais um mau bocado
e não tendes sequer a fantasia
de sonhar outro tempo e outro lado
como António digo adeus a Alexandria
desconcerto do mundo tão mudado
tão diferente daquilo que se queria.

Talvez Deus esteja a ser crucificado
neste reino onde tudo se avalia
irmãos meus sem valor acrescentado
rogai por nós Senhora da Agonia
irmãos meus a quem tudo é recusado
talvez o poema traga um novo dia.


Rogai por nós Senhora dos Aflitos
em cada dia em terra naufragados
mão invisível nos tem aqui proscritos
em nós mesmos perdidos e cercados
venham por nós os versos nunca escritos
irmãos humanos que não sois mercados.

Manuel Alegre

Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

Este dia jamais esquecerei, mas os cravos estão a murchar



 

Era um dia como tantos outros, na cidade do Porto. Ainda “enfiada” no vale de lençóis, eis que, como habitualmente, sou despertada pelo som da rádio, sintonizado no "rádio clube português". Aquele rádio que teimava, dia após dia, em não me deixar fazer mais uma “sorninha”!... Nada a fazer! Não era domingo, nem feriado, não havia desculpa para não ir trabalhar!...

Mais uma espreguiçadela e eis que, já com os sentidos mais apurados, constato que, contra o costume, não havia notícias, apenas a transmissão de marchas militares. Aqui há coisa, digo para o meu companheiro. De certeza, replica aquele, isto não é normal, aqui há m...! Espreito pela janela, mas o vai-vem dos transeuntes não indiciava nada de anormal.  (Vivia, na altura, para quem conhece a cidade, na R. de Cedofeita). Volto novamente a atenção para a rádio. Algumas estações estavam simplesmente silenciadas.

Eis que, depois de alguma excitação, o telefone toca. Era a entidade empregadora, já um pouco mais informada: - Nem pensar em ir trabalhar, não é seguro, há uma revolução, os tanques estão na rua… blá, blá, blá…

Após o primeiro impacto por tão insólita notícia, segue-se o bulício próprio de uma situação tão inesperada… Ignorando o apelo para me conservar em casa, como aconselhava a prudência, a minha juventude impele-me a que me ponha a caminho do emprego.

Nada de mais normal, não fora ter de me ir meter em plena “boca do lobo”, a Praça do Município. Com alguma precaução lá consegui esgueirar-me e entrar para a segurança do edifício. Não por muito tempo. O apelo da rua era grande…

Foi então que, excitada, “agarrei” uma folha de papel que deixei, escrita, em cima da secretária, e onde se podia ler:




Vou para a rua festejar a revolução

Viva Portugal

Domingo, 15 de Abril de 2012

E tudo acabou em bem...


Um fim de tarde igual a tantos outros, na pacatez da aldeia, sentada tranquilamente a apreciar a beleza da paisagem e o esvoaçar da passarada que em pleno mês de Março estão particularmente atarefados.

Aproxima-se a hora de entrar em contacto com a minha irmã mais velha, o que faço diariamente, isto porque vive sozinha. Apenas uma senhora vizinha, e bem remunerada para o cargo, lá ia dormir até fins de Fevereiro, altura em que se desentenderam. Até compreendo o desentendimento porque a minha irmã, verdade seja dita, tem um feitio terrível e não é qualquer pessoa que tem paciência para lidar com ela.

A sua vida foi um inferno! Com um passado de adolescente que já não foi dos melhores, lá acabou por casar. Sempre me pareceu que mesmo casada não era totalmente feliz, mas até posso estar enganada... Finalmente nasceu um filho, que veio trazer alegria e boa disposição àquela casa. Tudo correu pelo melhor até aos dezasseis anos do meu sobrinho, que vivia com as pais e a avó paterna.  Aí começam as desgraças! O meu sobrinho, um jovem alegre e bonito é acometido por cancro num testículo, e, após cerca de dois anos de luta, acabou por falecer. Não me lembro da minha irmã alguma ver ter recuperado desta dor. Ficou, o que se pode dizer, num “frangalho”. Decorridos uns anos, acabou por falecer a sogra, com ataque cardíaco (caiu aos seus pés). Largos anos após o falecimento do filho, e quando me parecia que, finalmente, estava a querer recuperar para uma viva aparentemente normal, mais uma desgraça: O marido, ainda muito novo, morre estupidamente num desastre de jeep. Foi o fim…

Mas voltemos ao presente: Telefono, o telefone chama e torna a chamar e nada de resposta. Entro em contacto com a minha filha mais velha que vive em Matosinhos que me diz que também estava a tentar ligar e a tia não atendia. Meteu-se no carro e lá foi a casa que encontrou com as janelas todas fechadas. Tocou à campainha e ouve lá dentro a voz roufenha da tia: - Caí, estou deitada no chão e não consigo levantar-me-. Sem chave para abrir a porta, lá tiveram que vir os bombeiros, a polícia, foram-se aproximando os vizinhos…  Enfim, um grande aparato. Depois de partidos vidros, uma persiana, cortadas as grades de segurança, aí estava ela estendida no chão, de barriga para baixo e com uma dificuldade enorme em respirar. Chegado o INEM foram-lhe prestados os primeiros socorros e levada para o Hospital de Santo António. E eu vim, como era meu dever  de” requitó” para o Porto.

Após cerca de uma semana de internamento, segundo os médicos, nada de grave lhe foi detectado.
Agora estávamos perante mais uma questão nada fácil de resolver. Na impossibilidade de ficar com ela era preciso convencê-la a ir para um lar. Corri a cidade do Porto e arredores e sinceramente era incapaz de deixar a minha irmã em alguns dos lares que visitei. Até que, finalmente, apareceu AQUI   um lar de idosos onde acho que ela está muito bem. Sente-se tão bem que nem sequer quis sair para passar a páscoa com a família e até já a ouvi dizer: Só saio daqui quando morrer. Vamos lá ver se não muda de ideias.
 
Foi este( com alguma preguiça pelo meio) um dos motivos da minha ausência da blogosfera.



Terça-feira, 20 de Março de 2012

Poema das Árvores



As árvores crescem sós. E a sós florescem.

Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.

Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.

E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.

Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.

As árvores, não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.

Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.


Virtude vegetal viver a sós
E entretanto dar flores.


(António Gedeão)