"Tenta fazer esta experiência, construindo um palácio. Equipa-o com mármore, quadros, ouro, pássaros do paraíso, jardins suspensos, todo o tipo de coisas... e entra lá para dentro. Bem, pode ser que nunca mais desejasses sair daí. Talvez, de facto, nunca mais saísses de lá. Está lá tudo! "Estou muito bem aqui sozinho!". Mas, de repente - uma ninharia! O teu castelo é rodeado por muros, e é-te dito: 'Tudo isto é teu! Desfruta-o! Apenas não podes sair daqui!". Então, acredita-me, nesse mesmo instante quererás deixar esse teu paraíso e pular por cima do muro. Mais! Todo esse luxo, toda essa plenitude, aumentará o teu sofrimento. Sentir-te-ás insultado como resultado de todo esse luxo... Sim, apenas uma coisa te falta... um pouco de liberdade.
Quarta-feira, 1 de Maio de 2013
Segunda-feira, 15 de Abril de 2013
Senhores, estou farta!
Carta Aberta
Ninguém me encomendou o sermão, mas precisava de desabafar
publicamente. Não posso mais com tanta lição de economia, tanta megalomania,
tão curta visão do que fomos, podemos e devemos ser ainda, e tanta
subserviência às mãos de uma Europa sem valores (...).
(Miguel Torga)
Quarta-feira, 10 de Abril de 2013
Sonho consciencioso
Sonhei que o mundo tinha mudado!
Não havia flores mortas, folhas secas
jardins abandonados…
Mendigos dormindo em cartões
em becos inundados de dor...
o sol aquecia-lhes o futuro
sorriam inerentes ao que as rodeavam
os velhos caminhavam felizes
sem rugas marcadas
pelas histórias de dor já contadas…
Era novo…não conhecia!
O vento bafejava calmamente
os campos cobertos de trigo dourado...
velha e estampada
cantavam...
ceifando o joio dourado!
Pássaros voavam batendo as asas
em rodopio ofuscante…
Tão belo…sereno…
Acordei!
Tinha sonhado…
Acordei de um sonho consciencioso!
espreitei da janela...
a lua dormia ainda sobre as montanhas
e o luar brilhava sobre elas...
Ainda era noite...
voltei a deitar-me querendo retomar
meu sonho !
Alda Melro
Clube dos Poetas Vivos
Quarta-feira, 20 de Março de 2013
Glória
Depois do Inverno, morte figurada,
A primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.
(Miguel Torga)
Segunda-feira, 4 de Março de 2013
ROMEU
Uma pequena mas lindíssima aldeia transmontana, do Concelho
de Mirandela, que conta com pouco mais de cinquenta habitantes.
Nesta Aldeia, que é abençoada por alguns dos melhores
azeites do mundo, encontra-se um afamado restaurante típico, o Maria Rita, que
torna qualquer refeição num momento inesquecível.
Logo ao lado do restaurante encontra-se o Museu das
Curiosidades, com uma vasta colecção de... TUDO! O Museu das Curiosidades é um
espaço simples, onde o visitante encontra numerosos testemunhos da evolução da
forma de vida rural, que vão desde automóveis e alfaias agrícolas, até
bicicletas e material portátil ligado ao cinema.
Esta maravilhosa aldeia tem as suas casas muito bem
conservadas porque beneficiaram de importantes obras na época do Estado Novo.
O nome da aldeia deve-se a que na época medieval existia uma
dependência da Ordem do Hospital de São João de Jerusalém, mais tarde conhecida
como Ordem de Malta. O aspecto actual da aldeia ficou a dever-se à acção de
Clemente Meneres, empresário agrícola e industrial que ali se instalou em
finais do século XIX e se dedicou à produção de azeite com um sistema
revolucionário para aquela época. Os resultados estão "à vista", com
o azeite de Romeu a atingir patamares de qualidade elogiados um pouco por todo
o mundo.
Fonte: Aldeias de Portugal
Já fui muito feliz por estas "bandas"! Almocei diversas vezes no restaurante Maria Rita e tive, até, o privilégio de, um certo dia, conversar e almoçar com o proprietário Clemente Menéres.
Se os meus amigos ainda não conhecem, é uma boa opção para um passeio na primavera, que se aproxima.
A TODOS UMA BOA SEMANA
Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013
Só
"Quem não gosta de estar sozinho
é uma péssima companhia".
(Gonçalo M. Tavares)
(Não sei se sou péssima companhia! Gosto de estar só, mas por pouco tempo...)
E os meus amigos, também gostam de "curtir" a solidão?
(Não sei se sou péssima companhia! Gosto de estar só, mas por pouco tempo...)
E os meus amigos, também gostam de "curtir" a solidão?
Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013
Confiança
O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...
(Miguel Torga)
Desejo a todos um bom fim de semana
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013
DESENCANTO
Não de caravelas mas de muitas “capelas”
Nunca mais de poder, mas de mil poderes
Este é o país que nos sobra e soçobra
Ao amanhecer
Este é o país onde não sei viver
Tudo se resolve em não resolver nada
Ou tudo se muda para ficar como dantes
Com os moralistas e os chantagistas
E outros fantoches desconcertantes
Este é o país dos meus sonhos distantes
O meu país cresce dos homens mais fúteis
Da subserviência e da influência
Das palavras hipócritas e outros conluios
Este é o país dos processos inúteis
Das luvas e lóbis e dos compadrios
Este é o país dos meus desvarios
Este é um país pela graça divina
Onde todos somos heróis e mais santos
Seja por herança, por fado ou má sina
Este meu país é uma grande latrina
A transbordar merda por todos os cantos
Este é o país dos meus desencantos
(Fernando Campos de Castro)
Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2013
Mia Couto
“[…]Falamos em ler e pensamos apenas nos livros.
Mas a ideia de leitura aplica-se a um vasto universo.
Nós lemos emoção nos rostos,
lemos os sinais climáticos nas nuvens,
lemos o chão, lemos o Mundo,
lemos a Vida.
Tudo pode ser página.
Depende apenas da intenção de descoberta
do nosso olhar.”
(Mia Couto)
Sábado, 5 de Janeiro de 2013
Tão antigo e tão atual
Nós Estamos num Estado Comparável à Grécia
Nós estamos num
estado comparável, correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade
política, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma
agiotagem, mesma decadência de espírito, mesma administração grotesca de
desleixo e de confusão. Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer
falar de um país católico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a
ser riscado do mapa – citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não
temos como a Grécia uma história gloriosa, a honra de ter criado uma religião,
uma literatura de modelo universal e o museu humano da beleza da arte.
Eça de Queirós, in 'Farpas (1872)'
Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013
Dois Lados
"A vida tem dois lados, pelo menos dois, ao outro só pelo sonho conseguimos chegar.
Sonhar é ausência, é estar do lado de lá".
(José Saramago)
(José Saramago)
Sorte a minha que me "esgueiro" muita vez para o lado de lá!
Este ano adivinha-se mau para permanecer sempre do lado de cá!
Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2012
Domingo, 30 de Dezembro de 2012
Sábado, 29 de Dezembro de 2012
Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2012
Citação I
"Nunca o homem inventará nada mais simples nem mais belo do que uma manifestação da natureza. Dada a causa, a natureza produz o efeito no modo mais breve em que pode ser produzido."
(Leonardo da Vinci)
Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012
Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012
Texto a não perder - Leiam
Leiam este brilhante texto de João Quadros. Por entre o
sarcasmo cheio de piada, está a realidade triste do nosso País.
"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de
Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores
importadores portugueses."
Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a
zona de frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e
marisco.
Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico.
Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca
egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das
Fidji, abrótea do Haiti?
Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais
viajado que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou
um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de
2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar com
o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é
quente, se tem irmãs, etc.
Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas
cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo. Não é saudável
ter inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar
junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em
Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é desagradável constatar que
o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos
fazer durante todo o ano.
Há quem acabe por levar peixe-espada do Quénia só para ter
alguém interessante e viajado lá em casa. Eu vi perca egípcia em Telheiras.
Fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe
olha para uma perca egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no
Museu do Cairo e esquece-se das compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de
se constipar.
Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir
polvo marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar:
"tem polvo marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá
polícia. "Queria quinhentos de polvo marroquino" - tem de ser dito em
voz mais baixa e rouca. Acabei por optar por robalo de Chernobyl para o almoço.
Não há nada como umas coxinhas de robalo de Chernobyl.
Eu, às vezes penso:
O que não poupávamos se Portugal tivesse mar.
JOÃO QUADROS . NEGÓCIOS ONLINE
Retirado do facebook
Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2012
José Saramago
" Costuma-se dizer
dêmos tempo ao tempo,
mas aquilo que sempre
nos esquecemos de perguntar
é se haverá tempo para dar"
José Saramago
Domingo, 9 de Dezembro de 2012
NATAL NEGRO - 2012
Tens de voltar meu Menino
Para mudar o destino
E dar-nos de novo esperança
Tens de mostrar que o Natal
Só se pode conceber
Se em cada homem houver
Um coração de criança
Neste Natal que é tão negro
Vem em nome dos que sofrem
E dos tristes que te esperam
Dos que vivem em silêncio
E em silêncio desesperam
É urgente que tu voltes
Em nome dos que perderam
Família, casa ou emprego
E que perderam o pão
Vivendo da compaixão
Em luto e desassossego
Dos que passam cada dia
Sem nada p’ra pôr na mesa
Da pobreza envergonhada
Dos que já tiveram tudo
Mas que ficaram sem nada
Neste mundo de incerteza
Vem morar no coração
Que se fechou ao Teu nome
Que às vezes a solidão
De quem luta pelo pão
É bem mais dura que a fome
Vem fazer o teu presépio
Na alma dessas pessoas
Que se perdem por aí
Tens de nascer, meu Menino
Tens de mudar o destino
E voltar de novo aqui
(Fernando Campos de Castro)
Para mudar o destino
E dar-nos de novo esperança
Tens de mostrar que o Natal
Só se pode conceber
Se em cada homem houver
Um coração de criança
Neste Natal que é tão negro
Vem em nome dos que sofrem
E dos tristes que te esperam
Dos que vivem em silêncio
E em silêncio desesperam
É urgente que tu voltes
Em nome dos que perderam
Família, casa ou emprego
E que perderam o pão
Vivendo da compaixão
Em luto e desassossego
Dos que passam cada dia
Sem nada p’ra pôr na mesa
Da pobreza envergonhada
Dos que já tiveram tudo
Mas que ficaram sem nada
Neste mundo de incerteza
Vem morar no coração
Que se fechou ao Teu nome
Que às vezes a solidão
De quem luta pelo pão
É bem mais dura que a fome
Vem fazer o teu presépio
Na alma dessas pessoas
Que se perdem por aí
Tens de nascer, meu Menino
Tens de mudar o destino
E voltar de novo aqui
(Fernando Campos de Castro)
Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2012
Poema da Curva - Oscar Niemeyer
Foi-se o artista! O fruto da
sua ARTE de construir ficará por toda a eternidade.
(Museu do olho - Curitiba.
Obra de Oscar Niemeyer)
“Não é o ângulo reto que me atrai.
Nem a linha reta, dura, inflexível,
criada pelo homem.
O que me atrai é a curva livre e
sensual.
A curva que encontro nas
montanhas do meu
país,
no curso sinuoso dos seus rios,
nas nuvens do céu,
no corpo da mulher amada.
De curvas é feito todo o universo.
O universo curvo de Einstein.”
Oscar Niemeyer
(Fevereiro de 1988)
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